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Convenção Estadual Novos Caminhos

Depoimentos dos Palestrantes

Luiz Carlos Brum

Presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Prestadores de Serviços Funerários do Rio Grande do Sul (SESF-RS)

“Para agregar valor ao serviço funerário, é muito importante a maior capacitação técnica dos nossos colaboradores através de cursos específicos para o setor.”

“Nós não somos somente vendedores de urnas e, sim, prestadores de serviço. Hoje, o serviço funerário está muito diferente do prestado há 30 anos, mas ainda precisa melhorar e isso só se consegue com qualificação.”

“É necessário ter uma equipe qualificada para assessorar a família em todos os pontos durante o evento.”

“A integração dos fornecedores é muito importante para garantir um crescimento do segmento.”



Ercy Soares

Presidente do Sindicato dos Cemitérios Particulares do Brasil (SINCEP)

“O mundo está em constante mutação, mas o cemitério não. É uma atividade secular e transformar este ambiente com a freqüência que o mercado demanda não é tarefa fácil.”

“Em relação ao meio ambiente, o impacto depende da gestão. Hoje em dia, estão sendo construídas áreas verdes dentro de uma área de construção, com objetivo de preservar.”

“Outro ponto importante é a profissionalização do setor. Saindo de um momento onde os cemitérios eram empreendimentos familiares, para grandes empresas em busca de profissionais de outras áreas para trabalhar no setor; ou seja, saindo do familiar para o profissional.”

“Integração de serviços é uma necessidade. É hora de dar a mão para o parceiro e resolver junto os problemas. Vivemos um momento de integração da cadeia.”

“O crescimento da cremação tem impacto muito grande nos cemitérios e para não perder o vínculo com o cliente, os cemitérios tem buscado instalar áreas especificas para cinzas, como bosques e memorial.”

“No Brasil, a região sul do País, principalmente em São Paulo, a procura pela cremação tem crescido ano a ano. Atualmente, cerca de 3% dos serviços fúnebres prestados são de cremação.”



Vânia Schneider

Professora e pesquisadora do Instituto Ambiental da UCS

“Este é o primeiro evento que participo onde se discute aspectos ambientais em relação ao resíduo humano.”

“Corpo humano é matéria orgânica e uma vez disposto no solo vai se decompor e integrar a natureza. Por este motivo é necessário ter uma visão ecológica do processo.”

“Como somos o topo da cadeia alimentar, a forma como vivemos, o que comemos, se usamos medicamentos ou não, são fatores que farão a diferença na absorção do resíduo pela natureza. O ser humano é um perigo para o meio ambiente e representa contaminação.”

“Muito do necrochorume produzido com a decomposição dos corpos vai para cursos d’água ou lençóis freáticos. Como há muitas mortes, isto tende a piorar.”

“Tecidos e maquiagens dos corpos também devem ser cuidados quando avaliamos a contaminação do solo. No caso da cremação, o tecido sintético gera gases tóxicos com o contato do calor.”

“Até o tipo de produto químico utilizado no caixão, como tintas, também pode ser e muito prejudicial à natureza.”

“Sugiro uma parceria com a UCS para desenvolver um curso de qualificação para os profissionais do setor.”



Saro Mauro

Presidente do Instituto Della Cremazione – Itália

“Na Itália, em 10 anos, a cremação aumentou de 8% para cerca de 70% em algumas cidades, como Milão.”

“Atingimos esse crescimento fantástico depois de investirmos na profissionalização do segmento e realizarmos uma campanha publicitária especial para promover e sensibilizar as pessoas para a cremação.”

“A cremação polui menos. As tecnologias hoje utilizadas possuem filtros que praticamente abatem os gases e atendem padrões de qualidade muito altos. Na Suíça, a evolução é tão grande que a emissão é muito perto de zero.”

“Uma das tendências é a produção de roupas atóxicas para vestimentas dos corpos.”

“Hoje, os cemitérios têm lugares específicos para guardar as cinzas a partir de construções particulares.”

“Para equilibrar os efeitos na natureza, a tendência é a construção de cemitérios parques e áreas verdes.”



Frei Jaime Bettega

“A morte é uma passagem que merece dignidade.”

“A Igreja Católica não é contra a cremação. A decisão é da família. Como pastores, temos a missão de estar lado a lado em todos os momentos e também nesse momento final.”

“O que chama a atenção é a necessidade de ter um local referencial para as cinzas, pois as famílias sentem falta deste ritual.”



Eliane Bortolini

Gestora de Recursos Humanos do Grupo L.Formolo

“O RH não faz apenas contratos e demissões e, sim, está ligado diretamente à área estratégica das empresas. O que temos de diferencial são as pessoas e o que vai nos trazer clientes é o detalhe no atendimento.”

“Temos que ter acompanhamento aprofundado em relação aos agentes funerários, que chegam motivados, mas às vezes os deixamos no esquecimento. Precisamos desafiá-los a crescer.”

“Precisamos repassar todos os nossos conhecimentos para que a equipe fale a mesma língua.”

“O modo como os clientes chegam até as nossas empresas pode variar, mas só permanecem conosco se mostrarmos ética.”

“Precisamos treinar e qualificar o máximo possível sobre cremação para que quando um familiar perguntar, o colaborador tenha respostas para todas as dúvidas.”

“É necessário ter programa de desenvolvimento de reciclagem constante com os colaboradores. Estamos no terceiro ano consecutivo de um treinamento para desenvolver o lado comportamental e técnico da nossa equipe. Este trabalho faz com que as pessoas voltem motivadas e isso reflete em vários pontos, como a diminuição da rotatividade de pessoal.”

“Queremos pessoas que trabalhem em conjunto, pois traz resultados melhores. E o diretor tem um papel fundamental nesse processo.”



Dr. João Nascimento da Silva

Pós-graduado em Direito Público e Especialista em Advocacia Municipal

“A legislação brasileira é muito incipiente e quase inexistente para regular o processo crematório.”

“Não existe legislação para isso, mas acho que tem que prevalecer a vontade da pessoa que faleceu.”

“Conforme a lei, o testamento é também uma forma de disposição de bens e de aquilo que é mais significativo, como as questões relacionadas à tua lama e à tua vida. Em caso de mortes naturais, o diretor funerário pode cumprir o que está no testamento e realizar o desejo da pessoa.”

“Acho difícil passar o projeto de lei 3572, que tramita no Congresso Nacional, porque tem vários dispositivos incondicionáveis e o serviço funerário é um serviço tipicamente municipal. É necessário ter cautela para ver até onde este projeto investe contra a autonomia municipal. Sugiro realizarmos um seminário específico para isso.”

“A morte violenta tem um antecedente que será interferido pela polícia e há um pressuposto de que houve um delito penal. Por este motivo, nesse caso, a cremação depende de autorização judicial.”

“Não existe nada legal que proíba ou autoriza familiares assistirem ao processo de cremação.”

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